A Sabinada

                                                     André Maurício vidreira de Santana

Metodologia

A abordegem que pretendo apresentar esse trabalho é a do Materialismo Histórico,  que para essa abordagem a luta de classes relaciona-se diretamente à mudança social, à superação dialetica das contradições exsitentes. É por meio da luta de classes que as principais transformações estruturais são impulsionadas, por isso ela é tida como o  “Motor da História”. A Classe explorada constitui-se assim no mais potente agente de mudança.

 

A Sabinada

Introdução

No dia 7 de novembro de 1837, a cidade da Bahia amanheceu sob governo de sabinos e diversos. Na primeira hora, rebeldes liderados por Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira e João Carneiro da Silva tomaram a Câmara Municipal de Salvador e declararam a província livre do mando imperial. A operação revolucionária entrara em execução na noite anterior com a ocupação do Forte de São Pedro. Após noite e madrugada tensas, fizeram soar, logo na alvorada, os sinos da casa da vereança. Os sonidos ecoavam pela cidade anunciando a nova. Comoviam uns, amedrontavam outros, e eram indiferentes a uns e outros tantos. Os primeiros corriam para a praça do Palácio. Os outros fugiam para o refúgio do governo deposto: Cachoeira. Os diversos uns e outros tantos continuavam a dormir ou levar a vida normalmente. Esse estado de exceção perdurou por mais de quatro meses. Durante esse período, os revolucionários lançaram mão de toda sorte e artimanha para efetivar seu poder. Ensaiaram alternativas. Construíram possibilidades. Geraram tendências. O conjunto dessas tendências é o objeto do que vamos trabalhar.  

O Romper da Revolta

A Sabinada foi um movimento separatista desenvolvido na Bahia durante a primeira metade do século XIX, entre 1837 e 1838, durante a implantação no Brasil do período regencial (1831-1840). Setores políticos da província ligados aos liberais radicais e a maçonaria defenderam os propósitos federativos contra o centralismo monárquico devido à implantação da Lei de interpretação do ato adicional de 1834.

    Articulada pelo medico Francisco Sabino Vieira, a revolta que iniciou no dia 7 de novembro de 1837 em via urbana da Cidade do Salvador, apesar de ter como principal objetivo se estender a toda província, essa separação acaba restringindo-se a penas a Cidade Salvador, Ilha de Itaparica e o povoado de Feira. Também não tem o apoio que era esperado entre os influentes senhores de engenhos e entre as camadas populares. Com todos esses contratempos os revoltosos denunciavam a ilegitimidade do regime regencial e proclamaram a Republica.

    A separação teve como inicio a fuga do líder da revolta farroupilha do Rio Grande do Sul, o então conhecido Bento Gonçalves, que se encontrava preso no forte são Marcelo ou forte do mar na Cidade de Salvador. Segundo Luiz Viana Filho alguns documentos revelam que “em 7 de novembro de 1837, o líder da sabinada o então doutor Francisco Sabino e mais quatro companheiros dirigiram-se ao forte e chegando lá convocaram o corneteiro, ordenando ao mesmo que executa-se o toque chamada ligeira, senha combinada para dá inicio a fuga de Bento Gonçalves  e inicio também da revolução”.

     Com a liberdade de Bento Gonçalves incentivou o movimento revolucionário que teve como causa principal a insatisfação da população local em reação ao governo regencial. Entre o motivo deste estado de coisas destacava-se o fato de os regentes imporem governantes para Salvador sem considerar os interesses e a vontade da população local, o que se agravou com a circulação de informações sobre envio por determinação das autoridades regências, de tropas baianas para o Rio Grande do Sul, onde na mesma época estava em curso o conflito conhecido como guerra dos farrapos.

    Deflagrada a sublevação em Salvador, nesse mesmo dia 7 de novembro de 1837, populares armados obrigaram o governador da província, Francisco de Souza Paraíso, a se recolher a um navio de guerra, e tomaram conta da cidade. Em reunião na Câmara de Vereadores os revolucionários decidiram: “A Bahia fica inteira e perfeitamente desligada do governo central do Rio de Janeiro, e passa a ser um estado independente”. Parte da tropa sediada na capital baiana aderiu ao movimento sem opor qualquer resistência, o que forçou a fuga das autoridades legais e culminou com a proclamação da independência da província (elegendo como presidente Inocêncio da Rocha Galvão, que se encontrava nos Estados Unidos) e a instalação de um governo republicano comandado interinamente por João Carneiro da Silva Rego, com duração prevista até a maioridade de D. Pedro de Alcântara.

    Todavia, somente Itaparica e o povoado de Feira aderiram à revolta, enquanto os demais centros populosos da província prepararam-se para resistir aos rebeldes. Mas estes não conseguiram ampliar o seu campo de ação e por isso ficaram restritos aos limites urbanos. Na seqüência desses acontecimentos, tropas comandadas pelo general João Crisóstomo Calado seguiram do Rio de Janeiro para a Bahia, ao mesmo tempo em que além das forças que também se deslocavam de Pernambuco para Salvador, uma divisão naval comandada por Teodoro Beaurepaire se punha em linha contra os revoltosos, para enfrentá-los.

    Embora articulados com elementos de outras províncias, principalmente de Pernambuco, os amotinados logo se viram em situação extremamente difícil, pois o cerco imposto pelas forças legalistas lhes acarretou uma série de dificuldades praticamente insolúveis. Dessa forma, sentindo-se acossados pela fome, eles efetuaram diversas sortidas contra as tropas que os cercavam, mas foram repelidos em todas as investidas feitas.

    No inicio de março as tropas ocuparam Itaparica, e logo depois, no dia 15 do mesmo mês, o general Calado iniciou o assalto a Salvador, quando então se travou um encarniçado combate corpo a corpo que só terminaria no dia seguinte. Procurando impedir a entrada das tropas governistas os rebeldes incendiaram a cidade, mas para dificultar a situação dos defensores os atacantes também atearam fogo ás partes deixadas intactas pelos primeiros, além de praticar outros excessos.

    Ao final de tudo, a Bahia foi reintegrada à Regência e devidamente pacificada; as perdas revolucionárias mencionadas por algumas fontes se elevaram a 1258, de acordo com os sepultamentos efetuados na cidade; cerca de 160 casas foram destruídas por incêndios; e 2.298 revolucionários republicanos acabaram presos pelas autoridades.

    Dominado o movimento, os rebeldes capturados foram julgados por um tribunal composto pelos donos de latifúndios da província, sendo quatro condenados à morte e muitos outros a desterro e trabalhos forçados. Posteriormente, com a maioridade do imperador, os condenados tiveram a pena comutada por ele, impondo-se apenas o desterro dos chefes da rebelião. Entre esses, Francisco Sabino Vieira, que ficou confinado na Fazenda Jacobina, na então remota província de Mato Grosso.

Referencia Bibliográfica:

FILHO, Luiz Vianna. A Sabinada. Edufba. Salvador, 2008, 179p. 2° edição.

SOUZA, Paulo César.  A Sabinada. Cia das Letras. São Paulo, 2009, 267p. 2° edição.

10 Comentários

  1. jef04 said,

    19 de junho de 2010 às 22:41

    Olá Mauricio tudo bem então postei o meu trabalho hoje por favor der uma analisada e expresse sua opinião.

    Jeferson.

  2. cosma2 said,

    21 de junho de 2010 às 20:07

    Mauricio, muito bom fala de sabinada,quem se colocou a lutatr com poder politico da epoca acobou sendo preso,tendo em vista a Republica, ou seja uma luta contra o,poder da monarquia.

  3. ucsalcris said,

    24 de junho de 2010 às 22:55

    a sabinada foi uma revolta autonomista na Bahia. É muito importante abordar um movimento como esse. Seu trabalho esta otimo. Cris

  4. barboso1981 said,

    26 de junho de 2010 às 14:10

    Muito bom camarada, você se aproximou bastante da sua metodologia e esse tema é muito abrangente. Você foi muito feliz na sua contextualização, tratando de modo eficaz as transformações revoltosas de uma época.

    Henrique Barbosa

  5. 27 de junho de 2010 às 14:38

    Mau mau!!! Muito boa a abordagem, contextualizou muito bem as revoltas que ocorreram na época.

    Abraço.

    Danilo Santana.

  6. roneco2009 said,

    28 de junho de 2010 às 6:02

    Entre revoltosos e integrantes das forças do governo, ocorreram mais de 2 mil mortes durante a revolta. Mais de 3 mil revoltosos foram presos. Assim, em março de 1838, terminava mais uma rebelião do período regencial.

    Parabens Mauricio pelo seu artigo.

  7. isabele1985 said,

    29 de junho de 2010 às 16:41

    ainda tem mais alguma coisa pra postar?


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