Conjuração Baiana sob uma perspectiva marxista

Kamilla Gabrielle Sampaio

 

Metodologia

A metodologia que será abordada neste trabalho é a do materialismo histórico. Onde a mesma ligada ao tema “Conjuração Baiana” dará suporte para uma interpretação a partir do conflito que nessa época começa a existir entre a Ordem Senhorial (que até então vigorava) e a Ordem Capitalista burguesa (emergente).

Trazendo no corpo do trabalho os fatores que levaram a esses conflitos: Interesses, práticas e sua transformações diante dos acontecimentos externos.

Fazendo com que se perceba ao final, a contradição existente na proposta capitalista quanto à prática de igualdade entre as relações étnicas. Práticas essas, diferenciadas, que serão estudas e explicadas a partir da concepção materialista.

Resumo

A Ordem que é baseada na forma como se dá as relações na reprodução, determina as classes e os interesses das mesmas.                                              

Para tanto irei definir a Ordem Senhorial (baseada no prestigio) e a Ordem Capitalista (que vem trazer consigo a contradição de ao mesmo tempo em que “luta” pela suposta liberdade, prende o negro numa igualdade – pela qual a mesma diz reivindicar – que não fora respeitada, traçando assim o caminho do preconceito) que estão em conflito de interesses no então período estudado (Conjuração Baiana).

Palavras-chave

Ordem Senhorial, Ordem Capitalista, Interesses, Contradição. 

Introdução

Este artigo tem como objetivo discutir a contradição da Ordem Capitalista, que vem dá frente ao movimento – que se organiza a partir dos ideais plantados pela mesma – da Conjuração Baiana. Onde os reflexos das ações da até então ordem vigente (a senhorial) tornam-se alvo principal de mudanças.

Apresentação

Primeiramente é necessário estabelecer como pano de fundo – para essas tensões – a condição (situação econômica) da Bahia neste período.

A mudança de sede (capital – 1763) do Império (Salvador para o Rio de Janeiro) – apesar de continuar se destacando como centro político de influência – traz consigo a perda de privilégios, o aumento de impostos, além de piores condições de vida (e esse fator vem abalar principalmente – e pode-se dizer quase que exclusivamente – as camadas mais populares).

Diante destas dificuldades, surge à necessidade de se mudar a forma como a colônia vem sendo administrada. Onde significativas mudanças deveriam ocorrer, a começar pelo livre comércio, que facilitaria para a burguesia (emergente) na obtenção de novas fontes de lucro.

 1. Ordem Senhorial

A relação estava condicionada (também) a estrutura escravista. Onde o poder predominante era estabelecido de acordo com os privilégios dos homens brancos, os senhores, que por sua vez eram proprietários das condições da produção da existência (proprietário do direito).

Nessa relação o escravo come o que produz, mas quem detinha as condições de sua existência é o senhor; que recebe o resultado da produção.                       

Para tanto é necessário sublinhar o porquê dessa submissão. “[…] a origem etimológica da noção de liberdade – ao contrário do que se poderia supor – não é a de ‘desembaraçado de alguma coisa’, mas antes a de pertença a uma mesma cepa étnica”. (SOARES). Sendo assim o trecho citado ressalta um fator importante, onde estar longe de suas raízes os deixa aprisionados a uma nova e desconhecida cultura. Fator este, que quando relacionado a já existente autoridade moral do senhor (que é reconhecida por toda a sociedade), casa perfeitamente, concebendo assim a relação de dominado/dominante.

Nessa Ordem como já fora dito, existia a relação do prestígio, que quando relacionado ao escravo que estava diretamente ligado ao seu senhor, ia além da obtenção da carta de alforria. Essa mesma relação trouxera para o senhor “uma dimensão política basilar no exercício da dominação senhorial. Desse modo, não há dúvida que a possibilidade de alforria e sua efetiva doação a alguns escravos atuavam como ‘válvulas de escape’ que visavam ao apaziguamento daquelas tensões cotidianas”. (SOARES).

No entanto, “[…] os favores e a dependência funcionando como atalhos para o caminho dos bem relacionados”. (TEXEIRA),  vieram  dar uma consciência – percebida diante a condição em que viviam – que estimularia mais tarde a diversos tipos de reações.

2. Ordem Capitalista

Esta ordem é proprietária dos meios de produção (dona da propriedade). Mas este fator não é determinante, pois a mesma tem que pôr o meio para funcionar, senão não há lucro. Nessa linha, o proprietário necessita agora do trabalhador, que colocará a disposição sua força de trabalho em troca de pagamento, que lhe trará conforma a proposta desta ordem uma nova perspectiva de vida (podendo – supostamente – ascender socialmente).

Diante da situação em que se encontra a colônia perante a metrópole, essa nova ordem chega defendendo ideais como: liberdade, igualdade e fraternidade. Ideais esses que vão de contra partida, principalmente, do mercado monopolista.

“[…] a conjuntura externa no que diz respeito aos fatores econômicos, políticos e ideológicos registrava o início de um processo de transformações, que se aprofundaria no século XIX, das quais resultariam a instalação da sociedade capitalista”. (TEXEIRA).

Ideais que traziam em seu bojo propostas de renovação social, que por sua vez justificariam os interesses dessa burguesia em expansão. Que com o tempo começaria a mostrar suas contradições, antes não vistas.

3. A contradição e os reflexos dos “ideais” capitalistas

Liberdade para quem?

Os ideais espalhados pela ordem capitalista, trazem consigo múltiplas contradições. Dentre elas a divisão da sociedade em classes, onde a mesma é fundamentada a partir da criação da propriedade.

No entanto, o foco principal deste artigo é discutir a questão racial como um fator determinante nessas contradições. Onde o mesmo trará para o escravo, agora livre, o peso de uma sociedade capitalista.

O preconceito agora, já não esta mais no discurso – como fora na ordem senhorial (que diz haver uma explicação para o homem ser escravo), mas sim na prática.

O movimento toma outro sentido quando o escravo (agora livre) percebe que mesmo sendo dono e ganhando pelo seu trabalho não pode ascender sociamente (de igual para igual).

Anteriormente, como pode-se observar em um trecho de um dos boletins da Conjuração Baiana, o negro liberto ou não, acreditava nas propostas difundidas pela burguesia que buscava expandir seus domínios.

“Cada hum soldado he cidadão mormente os homens pardo e preto que virem escornados e abandonados, todos serão iguais, não haverá diferença só haverá liberdade, igualdade e fraternidade”. (AVISO n° 10).

Considerações finais

A idéia inicial deste trabalho era falar simplesmente das diferenças entre as condenações na Conjuração Baiana. A resposta estava ali… Existiam diferenças por conta do preconceito racial. Mas como explicar isso dentro de uma perspectiva materialista?

Com o passar do tempo, as aulas me prendiam a atenção, e mesmo aquelas discussões não fazendo parte de meu tema, traziam reflexões acerca do mesmo.

Até que percebi que era preciso entender as ordens conflitantes, existentes nesta época. A partir disso entenderia seus interesses e as conseqüências que os mesmos traziam para aquela sociedade.

Assim, consegui chegar ao meu foco… Saber por que tantas idéias novas enchiam aquele povo de esperança e ao mesmo tempo os deixavam cada vez mais presos.

Referências

BOURDÍ, Guy; MARTIN, Hervé. O Marxismo e a História. In:____. As Escolas Históricas. Lisboa: Fórum da História. pp. 153-176.

JANCSÓ, István. Na Bahia contra o Império: História do Ensaio de Sedição de 1798. São Paulo/Salvador: HUCITEC/EDUFBA, 1996.

SOARES, Márcio de Sousa. Para Nunca Mais Ser Chamado ao Cativeiro: escravidão, desonra e poder no ato da alforria. Disponível em: <http://www.labhstc.ufsc.br/ivencontro/pdfs/comunicoes/marciosoares.pdf>. Acesso em: 15 de abril de 2010.

TAVARES, Luis Henrique Dias. Dois Episódios. In:____. História da Bahia. São Paulo: UNESP. pp. 176-189.

TEXEIRA, Marli Geralda. Revolta de Búzios ou Conjuração Baiana de 1798: uma chamada para a liberdade. Disponível em: <http://www.smec.salvador.ba.gov.br/documentos/revolta-dos-buzios.pdf>. Acesso em: 28 de março de 2010.

VILLATA, Luis Carlos. Bahia, 1789: os baienses se imaginam franceses. In:____. Virando Séculos: 1789-1808. São Paulo: Cia das Letras. pp. 95-116.

Provocações

Liberdade para quem?

O preconceito como foco de uma pesquisa a partir de um estudo materialista. Algo intrigante, porém, muito interessante!

“Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Quais os reais interesses destes ideais?

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7 Comentários

  1. eudesamigo said,

    5 de junho de 2010 às 22:19

    Oi, falta postar seu texto. Clique em editar e escreva seu artigo. Não se esqueça de garantir os aspectos metodológicos essenciais para a formatação de um artigo cientifico.

  2. kmmiloka said,

    12 de junho de 2010 às 3:17

    Ainda estou terminando de escrever… Até segunda postarei o restante!

  3. eudesamigo said,

    22 de junho de 2010 às 21:06

    Veja as orientações dadas pelo professor Alfredo acerca da organização do texto. Embora você tenha feito sua metodologia, falta contexto, explicar sobre a sociedade da época que você pesquisa. Além disso, é necessário garantir a interatividade em relaçã aos trabelhos de seus colegas. Sugiro que você veja as normas da ABNT em relação aos trabalhos científicos. Trabalhe em cima de sua metodologia. Seu texto está sem desenvolvimento e conclusão.

  4. barboso1981 said,

    29 de junho de 2010 às 0:03

    Nós conseguimos mostrar que um único tema pode ser discutido de várias formas só depende da criatividade do pesquisador. O seu tema recebeu a minha simpatia, mas estabeleci uma visão diferente, com abordagem distinta da sua.
    Você conseguiu trazer de forma plausível os conteúdos da Conjuração Baiana abordando as lutas de classes. Desenvolvendo seu conteúdo buscando explicá-lo pelo Materialismo Histórico e nos deu esse grandioso trabalho que, com certeza muitos irão beber da fonte dos seus conhecimentos.

    Meus Parabéns.

    Henrique Barbosa.

  5. isabele1985 said,

    29 de junho de 2010 às 16:54

    falta as considerações finais, kd?

  6. kmmiloka said,

    6 de julho de 2010 às 22:44

    Quando sai algum resultado?
    Estou em outra cidade… Só tenho como saber o que está havendo por aqui… POr favor me digam!


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